
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales voltou nesta segunda-feira (9) ao seu país natal, quase um ano depois de sua saída abrupta para o exílio. Seu retorno ocorreu um dia depois da posse do novo presidente boliviano Luis Arce, que marcou a volta ao poder do Movimento ao Socialismo (MAS).
Morales voltou à Bolívia junto com Álvaro García Linera, que foi seu vice-presidente durante os 13 anos que comandou o país, e de vários ex-ministros do seu governo. O ex-presidente cruzou a fronteira a pé com a Argentina na cidade boliviana de Villazón e foi recebido por uma multidão.
Ele também foi acompanhado pelo presidente argentino, Alberto Fernández, que se despediu de Morales na fronteira entre os dois países.
Em seu primeiro discurso, o ex-presidente agradeceu o “esforço e voto” de todos os bolivianos. “Com a nossa experiência e mais força, vamos levantar nossa economia. Que viva Bolívia soberana, que viva nosso processo de mudanças”, disse. No Twitter, ele também deixou uma declaração emocionada. “Hoje é um dia importante na minha vida, voltar à minha pátria que tanto amo me enche de alegria”, escreveu.
Carreata rumo a Chimoré
Morales liderou uma grande carreata, que reuniu grande número de pessoas ainda em La Quiaca, na Argentina, país onde o antigo mandatário chegou em 12 de dezembro, após uma passagem de cerca de um mês pelo México. A carreata seguirá para Chimoré, onde chegará na próxima quarta-feira (11).
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Chimoré foi a cidade de onde, em 11 de novembro de 2019, o ex-presidente embarcou rumo ao México, um dia após renunciar à presidência por pressão dos militares e de setores conservadores, que o acusaram de fraude eleitoral no pleito presidencial de outubro de 2019.
Na época, Morales havia sido declarado vencedor das eleições, obtendo um quarto mandato consecutivo, mas a oposição fez diversas denúncias de fraude e conseguiu anular o pleito e implementar um governo interino. O ex-presidente sempre negou as acusações.
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Após sua renúncia, ele deixou o país e um mandado de prisão contra ele foi emitido em dezembro por crimes de terrorismo e sedição. A promotoria boliviana também abriu outro processo por suposta fraude eleitoral. As acusações foram apresentadas pelo governo transitório de Jeanine Áñez, instalado após a queda do ex-presidente.
Morales e seu partido, o MAS, sempre rejeitaram as acusações e alegaram que os processos judiciais tiveram motivação política. No final de outubro deste ano, a Justiça boliviana anulou a ordem de prisão.
A anulação da ordem de prisão ocorreu pouco mais de uma semana depois de seu aliado Luis Arce, sucessor de Morales como líder do MAS, ter conquistado uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais bolivianas, em 18 de outubro.
Com informações da Deutsche Welle Brasil
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